segunda-feira, 1 de agosto de 2011

O suspiro de um beijo bom.

A precipitação caía na noite e tocava-me na parte superior da face, próximo ao cabelo, e escorria fazendo todas as curvas do rosto até ficar pendurada no maxilar e em seguida desprender-se por sua densidade ser maior do que consegue suportar. A gota fria pendia incessante e pertinente. A temperatura era o que diferenciava a chuva das lágrimas, que eram produzidas sem motivo, afinal. Uma vez que o passado já não era algo, menos ainda algo pelo qual chorar. Saudade sempre tão esquecida e aparecia como um bruxo de J. K. Rowling aparatando sem nenhum aviso prévio e manifestando-se instantaneamente, naquela fria e molhada escuridão que se tornara aquela rua em que os postes de iluminação falhavam dois para um que funcionava.

Com os últimos cinco meses de felicidade, foco, determinação e sonhos jogados fora por alguém a quem tinha confiado mais do que já confiara em alguém, exatamente por ter começado absurdamente diferente do que todas as outras vezes. Sentia falta do começo. Sentia falta de dois anos e sete meses atrás. Sentia falta um ano e onze meses atrás. Sentia falta da melhor amiga perto. Sentia tanta falta de tanta coisa que, nesse tempo cega, pareceu-me não ter mais tanta importância assim. Entretanto era tão óbvio - que era quase palpável - que eu nunca deveria tê-los deixado.

As roupas já estavam absolutamente encharcadas. E, apesar de tudo, caminhar parecia algo perfeito a se fazer no momento, uma vez que a única vontade era sair de perto de tudo que vivenciara nos últimos meses, conhecer algo novo, voltar pro antigo, entretanto, esse meio-tempo de cinco meses, queria fingir que nunca existiu. Apagar da memória e de tudo que pudesse trazer a ínfima lembrança de volta. No entanto, se a escolha a se fazer fosse voltar para o que já era de minha posse anteriormente, teria que lidar com todas as indagações e arguições, com a cólera dos abandonados, com o equívoco, com o que tinha sido passado pra trás quando escolhi mudar. Enfrentar e aceitar alguns erros há muito tempo esquecidos e a idéia de ter que enfrentar algo agora que estava tão desprovida de força assustava mais do que o normal. Ademais, começar uma vida nova parecia o mais certo.

O cartão de crédito ainda era pago pelo pai. Não tinha preocupação financeira e, nem que tivesse, era hora de tomar decisões. Começava a desacreditar que ainda chovia tanto quanto chorava. Será que quando parasse de chover, pararia de chorar? Ou será que pararia de chorar quando parasse de chover? Afinal a chuva era algo tão triste, era um ciclo vicioso climático irritante. Evapora-precipita-evapora-precipita, nunca evaporando de um lugar e caindo em si mesmo, sempre de um lugar pra outro, miscigenando as águas de diversos lugares. Seria tão mais fácil se a chuva pudesse me levar para outro lugar e me fazer encaixar assim como ela faz com que a água contida nela siga em rumo do seu local ideal. As correntes de ar já não pareciam tão frias, tinha acostumado com a sensação térmica e agora faltava acostumar com a nova situação de vida.

Não conseguia acreditar que depois de todas as mudanças com um só objetivo, de nada tinha adiantado. Tudo destruiu-se, voltou ao nada, de onde nunca deveria ter saído, ou foi pra algum lugar pior, visto que agora teria que recomeçar uma vida por não ter coragem e nem forças pra retornar a que tinha. Depois de tantas turbulências, tantas dificuldades, onde foi parar todo aquele empenho? Toda aquela vontade de ficar junto? Toda a espera de que ele tanto se gabava foi desperdiçada repentinamente. Talvez seja melhor assim. Nenhum esforço sem vontade, nenhuma mentira, sem mais fingir que está tudo bem quando está um caos. Máscaras ao chão, finalmente.

Já caminhava a quase uma hora e cruzei com as primeiras pessoas, um casal que tentava inutilmente fugir da chuva. O rapaz meio abraçava a garota enquanto segurava a blusa dele para protegê-la da chuva, os dois estavam com os corpos projetados pra frente, um pouco corcundas, parei no meio da rua e observei-os enquanto corriam. Lembrei de quando Louis faria tudo por mim. Chegava a ser sufocante o modo como ele me mantia sempre num pedestal, sempre me fazendo rir, me protegendo, me mantendo intacta, tanto fisica quanto mentalmente. Como esse casal. "Moça!", eu disse, ela parou e tirou a cabeça da proteção da blusa, permitindo-se a olhar pra mim. "Tome cuidado, pode não ser sempre assim.", ela ergueu apenas uma das sobrancelhas, pelo que eu pude ver e eles voltaram a correr. Tudo bem se ela não desse atenção para o que eu disse, eu só achei que deveria avisá-la, eu poderia descrever exatamente o que ela sentiria se a proteção e afeto, do rapaz que a protegia naquele momento, não funcionassem depois de um certo tempo.

Uau. Surpreendendo a mim mesma: preocupação por alguma pessoa além de mim, sem nem conhecê-las. Realmente havia mudado. O que não importava mais, porque não existia mais nada que mantivesse o interior afável ou sóbria. Parecia uma ótima maneira de recomeçar, retrocendendo a personalidade ao que era há cinco meses atrás, ao que era antes de Louis.

Não merecia passar por isso, não depois de todo o esforço empregado pra dar certo. Nenhuma pessoa mereceria. Uma praça. Nunca tinha estado ali antes, mas era como se já tivesse meu banco favorito, quem sabe meu subconsciente agindo através do cansaço que eu não percebia por não conseguir sentir mais nenhum membro do meu corpo. Eu só sabia que ainda tinha pernas por estar me locomovendo. Percebi um daqueles relógios que também mostram a temperatura, era 1h20, já tão tarde. Caminhei por quase três horas. Sentei-me então no banco escolhido, apoiei os cotovelos nos joelhos e o rosto nas palmas da mão.

Vi passar diante de meus olhos a cena que me levara a esse estado lastimável, quis abrir os olhos, mas meu masoquismo forçou-me a repetir e repetir a cena, até aceitar que ela realmente acontecera. Queria voltar no tempo e separá-los daquele beijo tão invejavel e errado, tão traiçoeiro, com um desejo recíproco tão evidente. Com um desejo que nunca tinha visto por mim, antes. Como Louis teria sido capaz, eu nunca descobriria, porque eu nunca tive coragem de perguntar. Entretanto ele não fazia a mínima ideia de que eu descobriria, era para eu estar longe da cidade e eu tinha desistido de viajar. Uma ironia já que eu teria que sair dali assim que colocasse a cabeça no lugar. Eu queria tê-los matado logo ali, mas não fiz. Prefiri ter certeza do que eu queria e eu tinha agora.

Tirei minha blusa, porque ela só estava me deixando mais pesada e eu estava dispensando atrasos, livrando-me deles. Postei-me em pé. Voltei pro local onde foi minha casa nos últimos tempos. Bons tempos. Lá estavam eles, deitados em minha cama. Minha ex-cama. Meu atual ex-namorado. Fechei a porta com uma força maior do que a necessária para o ato, no entanto a força exata para que ela fizesse um barulho mais alto do que o comum. Tudo era intencional.

Ele acordou assustado porém não tão assustado ao me ver parada ali e olhando para ele. Os olhos azuis me fitando com um desejo de estar imaginando maior do que eu achei que veria. Dizer que ele estaria decepcionado consigo mesmo, seria mentira; Contudo, ele começou uma tentativa inútil de explicar-me o que eu estava vendo, mesmo sabendo que não conseguiria. E apesar de tudo, ele era esperto, cessou os resmungos antes que eu pudesse pedir que ele parasse.

Ele me pedia desculpas, dizia o quanto tinha errado, o quanto me amava, o quanto me queria. Eu sorria, tentava manter minhas glândulas lacrimais inativas mesmo sendo uma tarefa árdua, não pronunciava uma palavra sequer, porque sabia que isso tiraria minha concentração do que mantia-me sorrindo e sem lágrimas. Ela dormia feito um anjo, tão satisfeita e tão calma que dentro de seus sonhos não imaginava a briga que estava acontecendo. Todavia, ela não tinha culpa de nada, eu não a namorava e nem queria.

Olhei pro chão, pra ele e sua tentativa de me manter ali. Caminhei ate o quarto e comecei a me despir, ele me seguia e se explicava, ele me conhecia, ele sabia que meu silêncio significava que eu não levaria algo do que ele dissesse em consideração. Troquei minha roupa por uma limpa e seca, coloquei a molhada numa sacola e larguei de qualquer jeito dentro da minha mala, assim como fiz com todas as minhas coisas.

Louis não desistia. Eu respeitava seu empenho, eu abster-me-ia nos primeiros dez minutos. Entretanto, esse era Louis, foi essa persistência que tinha me conquistado e me tirado de perto de tudo que era certo na minha vida para o duvidoso, agora totalmente incorreto. Pelo menos, eu tinha tentado.

Mexi com a menina na cama, ela acordou tão assustada quanto o loiro com quem dormira. Pedi que não se assustasse, só saísse de minha casa. Ela não hesitou, nem protestou, levou menos tempo pra sair do que eu imaginei que levaria. Louis ainda não acreditava que eu estava o deixando, como se houvesse alguma outra alternativa plausível. Mandei-o tomar um banho, para podermos conversar sem que eu sentisse nojo.

Terminei de arrumar tudo e chamei um táxi, deixando-o ciente de que eu poderia demorar um pouco para descer e pedindo que esperasse mesmo assim, poderia deixar o taxímetro ligado, se preciso fosse.

O loiro saiu do banheiro mais bonito do que nunca, era bom que estivesse tão bonito. A toalha enrolada na cintura. Todas as suas linhas e formas tão definidas. Os seus olhos azuis tão infinitamente penetrantes e límpidos. O seu cabelo loiro caindo-lhe parte em frente aos olhos, depois de fazer uma onda a partir da raíz e parte arrepiada e bagunçada no resto da cabeça. E foi exatamente nessa hora que eu entendi o que eu amava, só aquela imagem alemã que eu tanto cobicei. Nada mais. Nada mais a perder além de uma imagem.

Ele dirigiu-se para o quarto, vestir-se-ia. Começou pela camiseta branca e nunca terminou. A faca de cozinha sempre tão bem afiada, culpa da minha preguiça de cortar carne com faca ruim, culpa da disposição dele de sempre deixá-la afiada o bastante para que eu não fadigasse. A camiseta branca agora enxarcada de sangue, só não estava mais enxarcada do que a roupa que eu cheguei da rua.

Repeti o movimento, ainda segurando firme no cabo branco, do qual o branco eu já não podia mais ver. Repeti o movimento enquanto ele despencava em sua lamentação. Repeti o movimento enquanto seus joelhos cediam à dor. Repeti o movimento, enquanto a fraqueza tomava conta dele. Repeti o movimento até que ele não suspirasse mais. Repeti o movimento até que tive a certeza de que ele não faria com mais ninguém o que fez comigo. Repeti o movimento até que eu não pudesse mais ver vida naqueles orbes azuis. Repeti o movimento até ver seu cabelo loiro tornar-se ruivo.

Virei seu corpo, fazendo-o olhar para mim. Apoiei-me em seus ombros colados ao chão. Olhei dentro de seus olhos inertes e só então comecei a falar.

"Oh, Louis! Por que tivera que me levar a fazer isso contigo? Que motivo tinhas para alimentar tamanho ódio por ti, dentro de mim? Eu quem sempre errava num relacionamento e dessa vez, e somente dessa, eu decidi que acertaria em tudo. Continuei acertando. Acertei agora. Agora estamos quites. Eu perdi parte da minha vida por sua culpa. E agora você perdeu parte da sua por minha. Você destruiu a melhor parte da minha. Eu acabei com a sua. Espero te encontrar de novo."

Quis beijá-lo uma última vez, não o fiz. E quiçá tenha sido meu único arrependimento nesse dia.

domingo, 3 de abril de 2011

Natural Disaster

Numa certa tarde, quando eu achei que tudo ia se consertar com o menino que eu amava e também o melhor amigo que já tive na vida, quando eu achei que tudo que ele estava dizendo sobre os sentimentos dele por alguém e falava desse alguém na terceira pessoa, fosse pra mim, que era a mim que ele se referia, ele me contou que tinha então essa nova garota. E eu passei a odiá-la, entretanto não deu tempo desse ódio penetrar na minha mente como uma idéia fixa e não mutável. Eles tiveram um conflito, ele precisava da minha ajuda, ele precisava que eu falasse com ela para que ela o perdoasse, para que ela confiasse nele de novo, para que ela fosse dele novamente.
Desejei ser a garota, então. Senti inveja dela pela primeira vez. Era uma inveja má. Pensei e repensei se deveria fazê-lo do jeito certo ou do jeito que daria certo pra mim. Minha intuição não me deixou ser a vilã. Não valia a pena arriscar a amizade dele. Então eu fui em busca da menina. Daphnne Clemente. A menina que conquistou tudo que eu mais queria naquele momento. Precisei dar vários rodeios pra conseguir falar com ela sobre o assunto principal, pelo qual eu tinha pisado no meu amor doentio e no meu egoísmo.
Tudo se acertou então. Ela não tinha notado nada sobre a minha inveja. Eu já não a odiava mais. Por mais que eu quisesse, e eu queria, eu não conseguia. Eu conseguia entender porquê ele tinha a escolhido a mim. Ela era tão inocente, tão frágil, tão delicada. Eu já não invejava de um jeito ruim, mas eu tinha ela como um ícone do que eu poderia me tornar. Não pra conseguir que meu melhor amigo se tornasse meu namorado, NÃO! Mas pra conseguir alguém tão bom quanto ele. Até porque agora eles juntos eram as peças fundamentais do casal perfeito.
Sem mais me prolongar, agradeço todos os dias por ter conhecido o rapaz que mais me deixou mal na vida; porque me tornei melhor amiga desse menino, fazendo com que ele me pedisse ajuda para reatar o relacionamento com a menina que ele amava; por ter passado por cima do meu egoísmo uma vez; por não ter dado ouvidos aos sentimentos de adolescente piscótica; por não ter deixado meu lado mau influenciar; por não continuar a nutrir a inveja que senti no primeiro momento; por ter superado o amor pelo Fellipe e ganhado dois irmãos; por ter seguido todos os passos que segui até me tornar amiga da Daphnne, sua amiga-irmã, porque vou parar de falar de ti na terceira pessoa, já que isso é basicamente uma carta.
Não tem como falar de mim mesma, sem falar de ti, porque mesmo que não nos falemos mais todos os dias como fazíamos antes, você ainda é minha irmã, você ainda é uma das partes mais importantes de mim. Eu sei que posso recorrer a ti com qualquer assunto, assim como estou sempre preparada para te receber nos meus braços com conselhos quando você precisa. Você faz parte da família que eu encontrei pelo caminho, ao contrário da minha família de sangue, você foi escolhida pra fazer parte da minha, porque eu não te vejo de outra maneira que não seja minha irmã. A minha irmã mais nova, que é ao mesmo tempo minha inspiração. Porque eu vejo em você tanta qualidade peculiar e eu te devo muito por ter me ensinado tanto.
Eu sabia que não conseguiria enviar seu happybday por primeiro, então decidi que seria a última. Pra fechar seu dia com chave de ouro (LOL).
Eu espero que seu dia tenha sido lindo e que tenha ganho tudo o que queria e o que pediu. E que todas as coisas que ganhou e não gostou, seja de uma loja bem extraordinária e amanhã você vai trocar por algo divino. E que todos tenham feito o melhor deles pra te dar o dia que merece. E eu não vejo a hora de poder colocar em dia nosso abraço, nosso dia no shopping, nosso dia na praia, tudo que já planejamos pra quando nos vermos.
Eu sinto tanta falta do nosso abraço, minha natural disaster.
E sempre que estou cantando, eu lembro que você é uma das únicas pessoas que me ouve cantar e você gosta. Assim como eu gosto de te ouvir cantar. Gosto também do seu sotaque. E das suas gírias. E de você. Gosto muito de você. Eu só não gosto quando está triste. Então, se eu puder te pedir só um favor: Seja feliz a cada segundo.
Faça tudo o que tem vontade. Faça tudo o que te deixa feliz. Ignore tudo e todo mundo que tenta impedir sua felicidade. Quando tiver vontade de fazer algo e ser absurdamente impossível, no momento, guarde pra depois e arranja outra coisa pra fazer. Mas não permita que ninguém te imponha um limite vital ou te impeça de sorrir. Até porque é um pecado com o mundo não compartilhar seu sorriso. Eu te amo, eu te amo e eu te amo.
E, talvez, a cada aniversário seu, quem mais ganha sou eu. Por ter você por mais um ano, por sentir sua preocupação comigo, por acreditar que eu tinha esquecido e ficado na bad por isso. Uma injustiça, também acho. Mas assim que eu pude, eu vim escrever, porque passei o dia todo pensando em como faria esse ano, para diferenciar dos outros. Em todos os sentidos: Para conseguirmos nos ver nesse ano, para voltamos a ser como éramos e para mandar um parabéns diferente. Sempre te digo o que fazer e o que não fazer, mas esse ano queria te dizer algo a mais, algo além de como aproveitar sua vida, queria te dizer o quanto você é importante pra mim e o quanto eu sinto sua falta every-fucking-second da minha vida. E não é fácil suportar isso, apesar de parecer, mas acontece que nossa frequência online caiu bastante. Mas meu amor por ti não diminuiu. Encontra-se estável e subindo.
Feliz aniversário, little sis. E eu te amo muito, muito, muito. Desculpa por ter demorado.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Like Jesus of Suburbia.

Ela já não pensava mais nele antes de dormir. Ele voltou como se nunca tivesse havido nada entre eles. Ele a convidou pra sair. Ela foi. Ela sentia falta da amizade dele. Ela sentia falta de rir com ele. Ele ria com os amigos dele. Eles se encontraram. Eles saíram. Ele levou-a pra casa. Ela não ia beijá-lo. Ele a beijou. Ele fez tudo certo. Ela retribuiu. Ela não queria ter gostado. Ele chorou em silêncio. Ela chorou duas vezes. Ele disse o quanto a amava, que sentia sua falta, que nada seria como antes. Ela não queria acreditar. Ela acreditou. Ela sorria de novo. Ela cantava de novo. Ela estava de volta ao seu ápice. Ele dizia o mesmo pra todas. Ele elevou a produção de endorfina dela. Ele sabia que estava errado. Ele continuou. Ela voltou pra ele. Ela se entregou de novo. Ele dormiu com ela. Ele não se importava. Ela disse que ele estava errado. Ele ainda não se importava. Ela queria ele de volta. Ele queria atender aos próprios desejos. Ela descobriu sobre as outras garotas. Ele ainda não se importava. Ela chorou de novo. Ele ainda não se importava. Ela fez com que as batidas do coração dele parassem:
— Ele nunca irá se importar.

domingo, 24 de outubro de 2010

Ipsis Litteris

I - Manhã.

Estava deitada no ombro dele, sentados num gramado incompreensivelmente limpo, um perfeito casal, ainda estávamos nos conhecendo, o encanto ainda existia. Estava tão presente que era quase palpável, e alguns amigos comentaram que podiam sentir o romance que vinha ao nosso encontro apenas pela aura que emanávamos. Ele me afastou, me abraçou, olhou pra frente e então fez com que o crepúsculo do dia tão impecavelmente calmo, fosse também o crepúsculo de toda a magia que existia ali.
— Eu gosto de você.
Ele disse sem maldade alguma, aliás, maldade era o que faltava nele, tão inocente quanto aparentava, tão sereno, tão bonito, tão agradável. Mal sabia que essas palavras, esse pequeno meaning, essa ínfima frase poderia fazer um dano tão grande no que nos alegrara nos últimos dias.
Ele era importante pra mim, estava sendo. Antes dele aparecer, as turbulências da minha vida tinham sido maiores e mais danosas dentro de mim do que os terremotos orientais são para aqueles lados, levando em consideração espaço por dano. Sem mais me prolongar, Chuck estava me ajudando, mesmo que sem saber, na minha superação de problemas passados. E eu não queria perdê-lo, entretanto ele disse o que não devia, eu nunca consegui gostar de quem gostava de mim, nunca tinha visto graça nisso. Então fiz o que sei fazer de melhor, fui sincera.
— Não goste de mim.
A expressão que ele fez com a minha resposta foi impagável e eu não consigo descrevê-la, faça igual algum dia e você verá o susto, a decepção, a tristeza, a esperança, a felicidade, a indiferença, a dúvida, e talvez algum outro sentimento que eu não tenha listado, tudo num emaranhado passando por trás dos olhos, em 1/4 de segundo, não pisque ou perderá esse momento.
Não dei tempo pra ele dizer algo e continuei.
— Não pode gostar de mim, quero dizer, pode, mas não deve. E, se o fizer, não me deixe saber disso.
E foi nesse exato momento que eu fiz com que tudo se estragasse. Ele acatou minhas palavras, ele fez o que eu pedi. Eu nunca mais soube quando ele gostava de mim, quando ele só me desejava, quando ele queria se divertir.

II - Tarde.

Maquiagens fortes, roupas rasgadas, cortadas, estilizadas, modificadas completamente, cabelo desleixado. Sentia falta disso. Foi nesse dia que eu percebi o quanto eu tinha mudado. Eu já não inventava mais nada, eu já não tinha mais criatividade. Eu, quem tanto criticou o ser-humano acomodado, tinha me acostumado também. Eu já não era tão peculiar. Adotei os padrões humanos, sentei e me ajeitei, não inovava mais.
Admirei minha imagem refletida no espelho por longos minutos. Lembrei dos meus últimos dias.
Exatamente uma semana antes, eu dormi na casa dele. Foi bom, muito bom. Fizemos nossas piadas rotineiras, deitamos de conchinha, assistimos a um filme, nos beijamos. Éramos, novamente, um perfeito casal. Havia três semanas que saíamos juntos, nunca ultrapassamos alguma linha além do que deveríamos, levando em consideração o tempo em que estávamos. Sem mais prestar atenção no filme, eu estava apoiada no meu braço esquerdo, com o tronco elevado e olhando para ele. Anotava cada detalhe de seu rosto em minha memória, sabia que isso valeria algum dia. Eu sorria, ele sorria constrangido.
— Pare de me olhar.
Ele mantinha o sorriso. Eu ri, era uma cena boba, mas eu ria feito uma criança. Algum lugar dentro de mim achava aquilo engraçado.
— Pára.
Eu sorri, forcei minhas pálpebras a se fecharem, estava finalizando a imagem: As curvas da sua boca, o desenho de seu rosto combinando perfeitamente com seu nariz, e os seus olhos. Ah... os olhos. Cada traço da sua íris tornava-o mais interessante, o castanho brilhante mostrava que suas glândulas lacrimais trabalhavam incessantemente produzindo pequenas quantidades, porém o suficiente, para manter as orbes bem iluminadas. E eu nunca soube se tudo isso era mesmo seus olhos, ou era apenas o modo como eu os via. Recostei minha cabeça em seu travesseiro, pronto, memória salva. O silêncio foi quebrado com o movimento dele virando de lado, se apoiando em seu cotovelo direito, ele olhava pra mim.
— Posso gostar de você agora?
Meu estômago deu um pulo, uma bola travou na minha garganta e um oco se abriu na minha barriga, como quando você desce num toboggan.
— Pode, agora você pode.
Trazer essa memória deu-me enjoo, meus olhos lacrimejaram. Cheguei mais perto do espelho, olhei cada defeito do meu rosto, outra memória veio.
Ele se mostrara indiferente quanto a minha presença, eu me empenhava mais do que normalmente faria pra fazer funcionar. Eu tive um dia tenso, precisava dele, precisava do abraço dele, precisava sentir a respiração dele perto da minha, das piadas. Briguei, queria cobrar atenção de alguma maneira e essa pareceu-me mais apropriada, ele continuou indiferente. Sorri, eu tinha outro alguém pra me dar carinho nessa noite e só nessa. Não considero errado procurar num amigo o que eu precisava e Chuck não era capaz de ver.
Minhas lágrimas precipitaram-se pelo meu rosto, bati minha mão no espelho devido a proximidade ao leva-lá para secar onde tinha escorrido. Tirei aquele vestido rosa tão engomado, com toda sua renda e babado bem alinhados. Coloquei minha calça jeans escura e justa, uma camiseta branca que eu havia cortado para que ela deslizasse no ombro e um tênis. A maquiagem pesada sentia tanta falta minha quanto eu dela, porque o encaixe fora perfeito. Peguei minhas latas de spray, olhei para elas como não olhava há algum tempo. Era longe, mas hoje eu estava afim de caminhar. Fui andando até a frente do prédio dele, tinha um outdoor um pouco à frente na rua, foi nele que eu deixei: Posso gostar de você agora?, em verde-limão; FUCK YOU!, em laranja-fluo;
Desci do muro satisfeita, eu era eu de novo.

III - Noite.

Meu riso já tinha voltado ao normal. Minhas velhas amigas, minhas velhas roupas, minha velha rotina, estava tudo correndo perfeitamente bem de novo. Eu já não pensava mais nele o tempo todo, agora resumia-se apenas nos segundos antes de ir em busca do estado REM. Ele já não era mais meu principal assunto e a última notícia que tive, foi que ele riu muito ao ver o outdoor.
Meu celular tocou, eu não queria atender, sua foto sorria pra mim, um sorriso idiota e brincalhão. Eu sorri pra imagem na tela do meu aparelho, pressionei o botão verde.
Ele queria conversar, convidou-me pra sair. Aceitei. No mesmo instante, abriu-se um buraco no meu estômago e nenhuma roupa parecia ficar bem. A ansiedade tomara conta, então eu coloquei uma roupa qualquer, sabia que não gostaria de nada e acertei meu make up. Ele estacionou o carro e encostou-se em sua porta, não parecia se importar com a garoa que caía. Eu desci cada degrau da escada pensando em como agir, eu já estava na porta e não tinha definido, na verdade meus pensamentos estavam viajando em vários pontos e não focando em nada específico. Tarde demais, meu corpo foi pego pela chuva fina, eu já estava em sua frente, ele me deu um beijo na testa e entrou no carro, eu também entrei. Eu tinha me preparado para vários tipos de cumprimento, mas beijo na testa era o mais desprezível. Minhas emoções eram bagunçadas de novo, eu já não sabia mais o que eu estava sentindo e se não fosse tão constrangedor, eu desceria do carro nesse exato momento, voltaria pra casa correndo e nunca mais olharia pra ele novamente. Deveria ter feito.
— Eu gosto de você e não me importa se você me disse que não era pra gostar.
E cada vez mais suas palavras contradiziam seus atos. Se ele gostava de mim, então por que demorou tanto? Por que me enlouquecia assim? Qual a intenção do beijo na testa, afinal?
— Por que você está bravo comigo?
De todas as minhas perguntas, foi a única que tive coragem de fazer. Eu não tinha certeza se queria realmente saber a resposta das outras.
— Porque você faz tudo errado. Eu fico puto, tudo em você me irrita.
— Então por que quer conversar?
O que mais me agradava ali, era o modo como ele dirigia, eu desgostava completamente pessoas que não usavam o acelerador, carros rápidos eram feitos pra ir mais rápido e me atraía quando tornavam real a sua utilidade.
— Porque eu gosto de você. Sinto saudades de você. Apesar de saber que não teremos um futuro.
Não tinha certeza do que ele queria com isso, mas se era me machucar, eu sinto informar que ele conseguira. Que dor era aquela e onde exatamente doía, eu nunca saberei. A minha única reação foi direcionar toda minha atenção, cada um dos meus neurônios, à segurar minhas lágrimas. Minha respiração tinha sido presa, assim como todas as outras ações voluntárias, uma espécie de bola tinha se formado na minha garganta e eu tentava engoli-la.
Olhei pela janela, a única coisa que eu queria agora era nunca ter atendido a ligação. Parei de pensar nisso, não queria perder tempo com lamentações. Olhei algumas pessoas na rua e elas pareciam felizes, numa travessa, vi crianças brincando na chuva que começara a engrossar. Sinal vermelho. Eu podia sentir os olhos dele na minha nuca, entretanto o silêncio era ensurdecedor e nos vencia.
Sinal verde. Sua atenção voltou à pista, o carro retomou a aceleração. Eu observei o meio-fio tornar-se mais rápido ao passar por mim, olhei pra frente e vi as grossas gotas que iam de encontro ao pára-brisa e eram arrastadas para as laterais pelo limpador.
— Eu gosto de você. Muito, Chuck. E eu não queria perder você.
Era a primeira vez que eu olhava pra ele, desde que entrei no carro.
— Há!
Foi só o que ele respondeu, ele tinha virado o rosto para me olhar, para me ironizar. O que aconteceu na sequência foi muito rápido e eu só sei disso porque nunca tive tempo de evitar, de dar um aviso ou nem mesmo de gritar.
Era um cruzamento e, assim que ele virou o rosto em minha direção, eu vi um carro vermelho crescendo demais, o farol ofuscou meus olhos e acertou em cheio a porta dele. O carro rodou na pista e batemos num outro, com a lateral do meu lado, dessa vez. Eu pude sentir meu ar indo embora, eu fechei meus olhos lentamente e a última coisa que eu vi, foi seu sorriso mórbido pra mim e o sangue que escorria de seu nariz. Era o fim do nosso dia.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Astrologia...

O modo mais rápido, mais usado e menos conhecido, de se olhar para o passado, é observar as estrelas. É nostalgiante pensar que a estrela estonteante que você observa, admira, perde minutos do seu precioso tempo contemplando, já pode ter apagado. Não gosto de pensar que as estrelas estão tão longes a ponto de ela poder ter uma década de idade, quando eu começar a enxerga-la, ou que no seu ápice, pra mim, ela já se apagou. E levando em consideração que o cérebro é demasiado rápido e consegue ter zilhões de pensamentos em um segundo, basta eu olhar para as estrelas e eu começo a estimar hipoteticamente sua idade atual e o tempo que aquela determinada luz demorou para chegar em mim e tento me lembrar o que eu fazia nessa época. Essa é uma das minhas brincadeiras internas, que só eu entendo e não sei explicar (vide tentativa na frase anterior). E acreditem, apesar de que a minha memória sempre falha, ela funciona bem com esse processo-brincadeira e nem sempre me agrada. Apesar de sempre lembrar algo que me faça rir por deliciosos longos minutos, sempre me remeto a lembranças desagradáveis, como despedidas. Sou péssima com elas e em lidar com elas, entretanto comparando com supera-las, sou exorbitantemente boa nos dois anteriores. Ademais, observando as estrelas consigo ter todas as emoções já descobertas. E isso é o ínfimo do que me fascina nelas.


É necessário levar em si mesmo um caos, para pôr no mundo uma estrela dançante. (Friedrich W. Nietzsche)

sábado, 17 de outubro de 2009

Bluft.

Pessoas gostam tanto de reclamar, sobre tudo, o tempo todo, em qualquer lugar, com todo mundo. É como se a ‘quebra de gelo’ acontecesse através das reivindicações. Honestamente, eu não tenho do que reclamar. Gosto da minha vida, minha família, meu cachorro, minha rotina fastidiosa, as pessoas, comuns, ao meu redor. Entretanto, se eu tivesse o direito de fazer um pedido, uma exigência, apenas uma e nada mais, eu pediria meus verdadeiros amores comigo sempre. Não entendo como você tem uma vida normal, sem conhecer as melhores pessoas que existe nesse mundo. Não sei como isso faz sentido pra você, sabe? A vida, como ela tem lógica se você não os conhece. Confesso que já acreditei que tivesse uma vida normal, mas vida normal é o que todo mundo tem. E o que todo mundo tem não é bom, é comum, é costumeira, é normal e ‘normal’ está muito longe de ser bom, e estou falando do mínimo, porque ‘bom’ é muito pouco pra eles, ‘ótimo’ é muito pouco. Realmente não consigo lembrar de um adjetivo que seja grande o suficiente pra que você entenda o que eu to falando. Quiçá extraordinário consiga expressar o ínfimo do que eu quero. É, pensando bem, consegue, uma vez que, ao pé da letra, extraordinário significa: fora do costume, excessivo, descomunal, anormal, raro, singular, assombroso, estupendo, que excede expectativas; é, extraordinário consegue expressar o ínfimo. O que vocês chamam de amizade é o que vejo normalmente? Pessoas se ligam, combinam de sair, saem sempre juntas... isso é amizade? Então preciso de uma palavra nova pra exprimir nossa ligação, essa coisa intensa, forte, estranha, engraçada, gostosa, diferente de tudo já visto, já sentido, já conhecido. Não precisamos ligar ou combinar, nós sabemos. Estaremos juntos. Onde, como, por que, quando, são dispensáveis, absurdamente desnecessário. Perguntamos: Vamos? ; e temos como resposta: Vamos!; Não precisamos de mais que isso, estamos juntos, sabemos o quão bluft vai ser. Defeitos são comuns em seres humanos, e apesar de eu achar que somos uma evolução, por ora desconhecida, dos ‘homo sapiens’, ainda somos considerados tais, e perfeitos são os que conseguem fazer com que seus defeitos se tornem qualidades: Dagliê Colaço e Licínio Pereira de Camargo. A diferença de vocês começa no nome, e essa distinção de nomenclatura se torna tão pequena depois de qualquer convivência, pessoas absurdamente únicas, por quem eu lutaria, choraria, mataria, morreria e pediria desculpa; tão importantes pra mim quanto meu fígado, ou nem tanto, porque me desfaria dele, por vocês, se preciso fosse. Vocês são meus e nunca ninguém vai tirar de mim, ninguém seria tão alienado o suficiente para fazê-lo. E eu sou vossa, por inteiro. Quando os tive, simultaneamente, perto de mim, foi desmesuradamente bluft! E quando se repetir, impedirei que se vão e então começaremos a viver. E eu rirei para todo o sempre quando ninguém acreditar que meu livro foi baseado em fatos reais. x

sábado, 29 de agosto de 2009

The Best Of Me

Sucessivamente minhas palavras nesse pseudodiário online foram algo nostálgico. Reminiscências, sentimentos, melancolias, decepções. No entanto, hoje estou no clima pra falar do melhor relacionamento que existe em minha vida.
Tens noção de quantos ‘pra sempre’ são ditos diariamente por todas as pessoas que se relacionam, seja namoro, amizade e/ou qualquer coisa? E tenho uma pergunta melhor, imagina quantas dessas promessas são quebradas? Realmente não tenho curiosidade sobre a resposta. Quiçá seja o motivo que mantemos um relacionamento absurdamente estável. Não brigamos nunca. Não que eu me lembre e minha memória é algo em que não se dá para confiar, portanto corrija-me se eu estiver errada. Ficamos por quase um ano sem manter contato diariamente, mas não deixamos de nos falar. Pelo contrário, essa 'pausa' foi bom pra ambos os lados, talvez. Amadurecemos. Sei que não aparento ter amadurecido tanto assim, mas vocês não sabem nada de mim como ela sabe. Podia dizer que ela me conhece melhor do que eu mesma.
Se quiserem saber o que eu menos gosto no mundo, algo que eu poderia descartar facilmente da minha vida, algo que eu bateria o pé, me jogaria no chão, berraria feito uma criança mimada que a mãe negou o pedido, faria qualquer coisa pra não existir, e quando eu digo qualquer coisa, quero dizer: qualquer coisa! Essa coisa grotesca da qual venho enrolando nesse parágrafo pra dizer, porque até mencionar isso me dói, é a despedida. Odeio mais que qualquer coisa no mundo ter que me despedir dela. Sei que ela se sente tão perdida quanto eu me sinto nas nossas despedidas. São sempre incomensuravelmente... deprimentes, por não ter palavra tão ruim pra descrever. Tentamos encenar como se não doesse tanto, ambos os lados. Passamos basicamente o dia todo falando em inglês, pra parecer divertido. Depois relembramos nossos futuros detalhadamente desenhados por nós e para nós. E quem sabe esse seja o segredo, não prometemos um futuro juntas, sabemos dele. Tão perfeito, unidas, felizes. Como fomos um dia, como somos quando nos vemos, como seremos daqui um ano e quatro meses. Eu quis dizer como fomos, somos e seremos sempre quando juntas. Mas nada, eu disse nada, das coisas que fazemos pra disfarçar a dor que sentimos, funcionam afinal, e não conseguimos impedir que as lágrimas rolem no abraço derradeiro.
Não sei como ela se sente no trajeto pra casa, mas eu fico incomunicável. Viajo mentalmente e revivo em poucas horas os nossos últimos dias juntas. E apesar de abatida com a sua partida (rimei), sorrio e me sinto feliz em demasia por ter tanta certeza sobre algo, talvez tão exultante quanto agora, apenas por saber sobre nosso relacionamento e destino.
Não consigo me referir a esse sentimento como ‘amor’, porque não é amor, já passou disso há muito tempo. Não é de hoje que dizemos isso. Esse sentimento é mais forte e maior, e também não é algo eterno, porque coisas eternas não se alteram nunca, e esse sentimento só cresce, pelo menos em mim sim. É algo que nós inventamos e ultrapassa qualquer paradigma já imposto relacionado a amar. Um sentimento só nosso. Como todas as coisas que inventamos, como todas as piadas internas que são apenas nossas. Como nossas músicas, como nossas fotos, como nossos casais fakes, como nossos turnos, como nossos chars, como nossos roubos, como nossa viagem, como nossos amigos, como nossas histórias, como tudo que associa eu a você ou você a mim.
Voltando às perguntas iniciais, contar-lhe-ei algo inusitado, nessa nossa relação é difícil nos ver de melação, declarando nosso amor o tempo todo de forma exaustiva e enjoativa. Claro que o fazemos! No entanto são feitas praticamente nas despedidas online como algo comum: boa noite, cuide-se, amo você; e nas despedidas citadas ali em cima, estas são as sinceras e melosas, mas somente nós temos ciência delas. E agora vocês sabem que acontecem, mas ainda desconhecem a intensidade.
Posso proferir com o maior prazer e a maior certeza que talvez exista no mundo uma amizade – se é que assim pode ser chamado – como a nossa. Mas não existe até hoje alguém com algo mais forte ou mais sincero ou mais bonito. Nós somos como ninguém é. Nós pensamos como apenas um filosofo foi capaz, e ele morreu há cento e nove anos atrás. Nós agimos como você nunca agirá. Nós fazemos coisas que vocês nunca sonharam. A Dagliê e eu somos quem nós sonhamos ser. E seremos quem nós sonhamos por todo o sempre.
E sorte a de quem teve passagem na vida de uma das duas. Dádiva de quem teve as duas juntas por um dia que fosse. E parabéns à estes últimos, certamente vocês terão seus nomes camuflados em páginas cansativamente redigidas, mas excitantes ao ler. Entenda-me quem for capaz.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Gray

Notei agora que nunca dou devida atenção às coisas. Como a letra de uma música que tenho há tempos e só hoje percebi quão linda é a letra dela, quiçá pelo motivo que agora ela se encaixa perfeitamente com a condição em que eu me encontro. E essa é apenas uma coisa fútil; agora, imagina quanta coisa pseudoimportantes não deixamos de dar atenção ou o valor merecido o tempo todo. Ontem conversando com um amigo, falei sobre uma teoria que vi num livro, que não me recordo qual era, não que fosse exatamente isso, mas era algo como 'o dia assim que se torna noite começa a amanhecer' e chegamos à conclusão que isso é meio que um resumo de tudo na vida. Assim que tudo chega ao ápice, deixa de ser 'tudo' para se tornar 'nada' e então voltar a ser 'tudo'. E é um tipo de oscilação infinita, um círculo vicioso, maçante e indesejado, entretanto continuará acontecendo. Podíamos dar valor quando estivesse no ápice, mas é sempre quando está voltando a ser 'nada' que percebemos que devíamos o fazer. Mas já está decaindo, então você não o terá, porque a noite não decide no meio da madrugada a continuar noite e deixar de amanhecer. Os eclipses são reais, sim, entre o dia, ou entre a noite, no entanto advêm uma vez a cada cinco anos, ou mais, não espere que você seja o eclipse, uma vez que existem muitos outros casos também querendo ser, tanto quanto você, não admita que lhe reste apenas a esperança de a sizígia acontecer. E me desagrada ver o quanto meus textos parecem falar de mim, logo que são apenas meus pensamentos sobre o que eu vejo, o que eu repugno, o que eu queria poder trucidar e extinguir pelo menos ao meu redor. É sobre valores e sinceridade tudo o que eu já escrevi, afinal. E eles acabam sendo sobre mim.



And he look at the giant and he saw nothing. Just 'cause he doesn’t matter 'bout him.

EGO

É realmente difícil eu conseguir manter interesse sobre qualquer coisa por muito tempo, sem perder o encanto, a admiração, a curiosidade e o fascínio pela mesma. E quando eu acho que vai acontecer, então sempre vem algum invejoso, diria assim, a plantar o pior veneno, na minha singela opinião, no ouvido das pessoas. E é ironico que eu considere a pessoa minha amiga mesmo depois de tudo. Tenho minhas explicações, como por exemplo ser basicamente o centro das atenções de 'tal amigo', o tempo todo. E atenção é algo que me compra facilmente. Entretanto, você não pode apenas me dar atenção, tem que saber como fazer, enfim, estou rindo dos meus ultimos dias, e rindo estericamente, eu diria. Não acho engraçado só o fato de se importarem tanto comigo e com a minha vida chegando ao ponto de querer empurrar-me para uma situação deploravel, mas também como eu não estou realmente me importando com isso. Claro que eu queria que as coisa fossem de outro jeito, isso é óbvio. No entanto, eu não estou dando, talvez, a devida importância que merecia. E não estou deixando de importar-me porque sou um ser desprovido de coração e sentimentos, também, mas o faço na esperança de que parem. Você se lembra de quando você recebia um apelido ruim na escola, e reclamava pra professora, e ela sempre dizia: "Mas não ligue pro que eles estão falando, faça de conta que nem liga, que eles param.", e você não acreditava na professora e continuava brigando com as pessoas que te chamavam com tal apelido, e eles continuavam te chamando? Então, estou seguindo o conselho da professora agora e anseio que parem dar mais importância a mim do que eu mesma. Apesar de alimentar meu ego, não é algo saboroso.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Apenas Palavras.

Sou demasiadamente orgulhosa pra aceitar que alguém confunde minhas pseudocertezas. Idem pra acreditar que o faço. É bom saber quando fiz, mesmo que depois de já não existir resquícios dos pensamentos. Não sei ao certo aonde desejo chegar com essas palavras vomitadas em sequência, nem ao menos sei se existe um lugar onde eu queira chegar. É tão ruim e ao mesmo tempo tão atrativo não ter certeza do que poderá acontecer ou não ter certeza de algo. Quiçá hoje seja o dia mais engraçado da minha vida, quando tudo está entrando em contradição, desde os meus princípios aos meus atos, a situação em que me encontro, sendo quem eu anseio ter que, porventura não é quem eu sou, afinal não se encaixa nos meus padrões de escolha, entretanto eu quero. Não gosto de palavras ditas por dizer e repugno quem as profere. E é isso que eu quero dizer, quando me refiro aos meus princípios sendo quebrados, por alguém que questiono ser merecedor. Ou não. Acredito que não levei mais que dez minutos pra redigir até aqui e poderia apostar como não consegui transmitir nenhuma das minhas idéias iniciais, se é que houve alguma. E eu estou rindo descontroladamente de não ter saber como expor meus pensamentos mais obscuros. Logo eu, que sempre consigo traduzir pensamentos em palavras, mesmo que frases ruins, mas sei bem como fazer. Grande dia ensolarado depois de tanta chuva, grande dia escarninho depois de tantos fastidiosos. Quiçá uma nova oportunidade de fazer tudo como deve ser feito.